17.2.17

Chama-se “Violentómetro”, nasceu há três meses e já tem listas de espera

Lucília Monteiro, in Visão

Tem a forma de uma régua, identifica trinta atitudes agressivas na escalada da violência doméstica e já existem 56 escolas e vários municípios em lista de espera para o receber. Que fenómeno é este?

Março vai ser o mês do “Violentómetro”, um projeto nascido no México para combater a violência doméstica que a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) adaptou para Portugal e fará chegar, em breve, a dezenas de escolas no País. Com um formato semelhante a uma régua de papel, o medidor da agressividade nas relações teve um impacto inesperado na população universitária transmontana quando, em finais de novembro, foram distribuídos os primeiros 1300 exemplares. “Houve uma procura muitíssimo superior ao esperado”, confirmou à VISÃO Ricardo Barroso, psicólogo e professor da UTAD. “As pessoas receberam os conteúdos do dispositivo com surpresa. Alguns comportamentos não são considerados agressivos e foi para nós evidente que ainda há muito por fazer na consciencialização relativa a este assunto”, explica aquele docente universitário, um dos mentores da versão portuguesa do projeto.

O “Violentómetro” pode também ser comparado a um marcador de livros, próprio para estar à mão ou guardar na carteira. Identifica trinta comportamentos, menos graves ou muito graves, cuja permissividade e escalada fazem aumentar o risco de maus tratos. Esses podem começar com piadas agressivas, chantagens, mentiras ou desprezo. E por aí acima, até á morte. “Quanto mais cedo estivermos atentos e travarmos a agressão, melhor. Por vezes, a violência começa com sinais muito ténues”, resume Ricardo Barroso.
Pedidos de todo o País

A notícia sobre este projeto correu célere e atulhou os serviços da UTAD com pedidos provenientes de todo o território nacional (de resto, quem o quiser fazer deve escrever para rorebelo@utad.pt).

Neste momento, há 56 escolas de todo o País, incluindo dos arquipélagos dos Açores e Madeira, em lista de espera para receber o “Violentómetro” e distribui-lo pelos alunos, confirmou à VISÃO Ricardo Barroso. Por esta altura, decorrem também conversações com três municípios da Grande Lisboa para que o projeto possa também chegar a outras franjas da população. “Os custos da impressão são integralmente assumidos pela UTAD, faz parte da nossa responsabilidade social enquanto universidade”.

Dentro de algumas semanas, mais um passo será dado.

No âmbito de um projeto-piloto com a autarquia de Alfândega da Fé será distribuído um “kit” de prevenção contra a violência doméstica nas escolas, que inclui, além do “Violentómetro”, um manual de boas práticas que será o instrumento para ações de formação e grupos de trabalho, envolvendo professores, psicólogos e alunos. “Vamos discutir tudo isto com os jovens”, assume Berta Nunes, presidente daquele município do nordeste transmontano, recentemente considerado a mais transparente do País. “Queremos vincar a ideia de que há uma escalada na violência. Temos de pará-la logo no início. Os ciúmes e as tentativas de controlar o outro não são sintomas de uma relação saudável e há um longo caminho a percorrer para estancar o problema”, explica a médica de formação.

Projeto “Agir Contra o Tráfico de Mulheres” chega ao Porto

Por Ana Catarina Peixoto, in JPN

O projeto ACT – Agir Contra o Tráfico de Mulheres – foi apresentado esta terça-feira pelo Movimento Democrático de Mulheres (MDM). As mulheres de todas as idades e os jovens são o alvo prioritário.
O projeto "Agir Contra o Tráfico de Mulheres" foi apresentado pelo Movimento Democrático de Mulheres. Foto: Ana Catarina Peixoto

Depois de Faro e Lisboa, foi a vez do Porto e Braga receberem o projeto “ACT – Agir Contra o Tráfico de Mulheres” durante 18 meses. A sessão de apresentação decorreu no salão nobre do Clube Fenianos Portuenses, acompanhado de uma exposição com dados sobre o tráfico de pessoas.

O “ACT” é um projeto criado pelo Movimento Democrático de Mulheres (MDM) e dirige-se principalmente às mulheres (de todas as idades) e aos jovens. O objetivo é aumentar o conhecimento e a consciência sobre o crime de tráfico de seres humanos, para assim alargar a prevenção e o combate.

O Movimento Democrático das Mulheres é uma associação não-governamental que surgiu em 1968 através das comissões eleitorais formadas em oposição ao regime de António de Oliveira Salazar.

Os objetivos da MDM centravam-se na defesa e implantação dos valores democráticos, hoje focam-se mais nos direitos da mulher.

Durante a apresentação, Olga Dias, coordenadora do projeto, revelou que vão ser feitas “ações de sensibilização e esclarecimento, workshops e debates”, de acordo com as parcerias estabelecidas. As escolas são um alvo prioritário, tendo em conta que “os jovens constituem 20% das vítimas de tráfico na Europa”. Para a campanha de sensibilização, o movimento “vai recorrer a materiais em suporte físico e virtual, em vários idiomas, com uma linha gráfica que combata estigmas e estereótipos de género, associados ao fenómeno”, acrescenta a coordenadora.

A necessidade de desenvolver o projeto no Porto e em Braga deve-se, em parte, à preocupação com o baixo número de sinalização de vítimas que, segundo Olga Dias, “se devem às poucas intervenções específicas nesta área”. Os dados de organizações não-governamentais no terreno revelam que estes distritos estão na rota de sinalizações de tráfico humano e “a realidade não é muito diferente da realidade do resto do país”, sublinha.

Uma das novidades na vinda do projeto para o Porto é a adaptação dos materiais a pessoas com deficiência, um grupo também considerado vulnerável ao tráfico humano. “Nós queremos adaptar todos os nossos materiais para que estejam em braille, para que estejam em língua gestual, para que sejam acessíveis a todas as pessoas”, conta ao JPN, Sandra Benfica, do secretariado do MDM.

Além das escolas, o projeto pretende também estabelecer parcerias com operadores turísticos, empresas transportadoras, polícia, sindicatos e outras organizações estratégicas que permitam alargar a rede de informação e sensibilização.

Mulheres, estrangeiras, na sua maioria jovens. É este o perfil da maior parte das vítimas, segundo os dados revelados pelo último relatório do Observatório do Tráfico de Seres Humanos (OTSH). Os dados mostram ainda que em Portugal, as vítimas de tráfico humano que estão sinalizadas são, na maior parte dos casos, associadas a fins de exploração sexual. Das 182 presumíveis vítimas sinalizadas no país, 27 são menores e 141 são adultos. Dentro dos adultos, 123 são mulheres.

Já a Comissão Europeia revelou que, anualmente, são traficadas para a Europa Ocidental um milhão de novas mulheres e jovens, levadas maioritariamente para fins de exploração sexual.

Para Sandra Benfica, se os dados já parecem ser preocupantes, podem não chegar para refletir o que se passa verdadeiramente. “Estes números correspondem apenas às sinalizações fornecidas por diferentes estruturas” e, na realidade, “os números são superiores”, acrescenta.

A falta de visibilidade do problema e a tolerância no que respeita à prostituição são um dos principais entraves à evolução. A secretária do MDM considera que “este combate não pode ser desligado das causas que alimentam um negócio altamente lucrativo, que vive da exploração dos corpos e dos sonhos das pessoas”, sublinhando que é necessário “ter olhos mais atentos, mais informação, mais sensibilização para quem tem a possibilidade de detetar, mas também numa perspetiva de evitar a entrada de pessoas numa situação de tráfico”.

Marcelo Rebelo de Sousa serviu jantar a sem-abrigo do Porto

Ana Cristina Pereira (texto), Adriano Miranda (fotos), in Público on-line

Presidente da República vestiu a camisola de voluntário, serviu jantar e lembrou que há instituições à espera de uma nova Estratégia Nacional de Integração de Pessoas Sem Abrigo.

Noutro dia qualquer, um atraso de minutos na abertura do Restaurante Solidário, na Baixa do Porto, bastaria para haver um reboliço na Rua de Cimo de Vila. Esta quinta-feira à noite, não. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ia vestir a camisola de voluntário da CASA – Apoio ao Sem Abrigo e servir o jantar.
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É o quarto momento público que o Presidente dedica às pessoas em situação de sem-abrigo no espaço de dois meses. E no passado dia 9 recebeu a Comunidade Vida e Paz, que lhe entregou uma petição com quatro mil assinaturas a reclamar uma nova estratégia nacional, que "capitalize as experiências positivas” da anterior e que garanta as “melhorias necessárias". E ele não se esqueceu disso. “O último plano terminou no final de 2015”, lembrou. “Em 2016, não houve plano, houve um prolongamento parcial do plano [2009-2015] e o Governo ficou de dar agora uma resposta em 2017. Há muitas instituições que estão à espera. É uma necessidade.”

À espera de um minuto com o Presidente estavam dois representantes da associação Uma Vida Como a Arte, composta em exclusivo por pessoas com experiência de vida de rua. Queriam dar-se a conhecer,pedir-lhe que os ajude a obter uma sede, mas também entregar-lhe uma carta – a defender que haja uma continuidade; que a nova estratégia seja dotada de recursos; que se cumpram, de forma articulada, as políticas públicas de habitação, saúde, emprego; que se ouça as pessoas sem-abrigo nos assuntos que lhes dizem respeito; que se troque os modelos assistencialistas por modelos virados para a inclusão; e que se combata o preconceito.

Surgiu como movimento dentro do Núcleo de Planeamento e Intervenção em Sem-Abrigo (NPISA) do Porto, que reúne 64 entidades formais e informais da cidade. E, desde o princípio desde mês, é uma associação. “Pensámos muito antes de formalizar a associação”, contara o presidente, António Ribeiro, horas antes, no início da reunião semanal. “Se calhar, a nossa voz vai ser ouvida de forma diferente do que era quando éramos um movimento informal”.

Não é um lugar fácil este que Marcelo Rebelo de Sousa escolheu para começar a noite de quinta-feira no Porto. Tantas queixas se ouvem na rua sobre o Restaurante Solidário, que era há muito reclamada pelo NPISA e que faz parte da "Estratégia Local de Apoio de Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo", aprovada pela autarquia em Julho de 2016.

– Meia malga de sopa, carne esfiada, massa que dá para colar blocos. Às vezes, massa branca com salchichas e uns ovos que nem sal têm – queixava-se um rapaz, 21 anos, há dois meses a viver na rua.
“Caló” até pode jantar três vezes
“Caló” até pode jantar três vezes


– O comer vem frio. A primeira coisa que uma pessoa que dorme na rua precisa é de um parto de comida quente – corroborava a namorada, de 32.

Não é um serviço municipal. É um projecto de parceria. A Ordem do Terço empresta o refeitório e a equipa de cozinha para preparar a comuida. A Câmara do Porto paga as despesas de manutenção do espaço e dos equipamentos e os alimentos em falta. As refeições são servidas por 400 voluntários da CASA, que rodam em grupos de 15 a 25, apoiados por voluntários do Colégio Nossa Senhora do Rosário e do Grupo de Acção Social do Porto.

O vereador da Habitação e da Coesão Social, Manuel Pizarro, que ali estava, conhece bem as queixas. “Temos dois problemas, que aliás se resumem a um”, explicara já ao PÚBLICO. “O restaurante tem muito mais gente do que prevíamos. Andámos semanas a contar as pessoas que se alimentavam nos dois espaços de rua que o restaurante pretendia substituir – a Praça da Batalha e as imediações da Estação de São Bento – e nunca ultrapassámos cem. Dimensionámos o restaurante para 130 a 140. Nalgumas noites temos mais de 200. Evidente que isso causa problemas.”

Como é que isto se resolve? “Abrindo um segundo restaurante na Baixa, que permita aliviar este”, retorquira o vereador. Não adiantou em que mês. Referiu apenas que será “neste semestre”. O plano é ter até quatro espalhados pela cidade. “Apresar das críticas, é melhor do que comer na rua”, acredita. Não é só uma questão de dignidade e de conforto. “Por razões de segurança e de qualidade alimentar, quero que deixe de haver serviço de alimentação nas ruas. E tenho de poder afirmar que todas as pessoas que precisam de uma refeição têm um sítio aonde podem ir comer”.

Por ora, é isto: acesso livre, número de pessoas que aparecem impossível de prever, a escassez estoura na mão dos voluntários de turno.

O que se faz quando a comida não chega para todas as pessoas que fazem fila à porta? “Temos de arranjar algum remedeio”, responde Pedro Pedrosa, coordenador da CASA. “Temos aqui uma pequena copa e um pequeno almazém. Há sempre atum, salchichas… Às vezes, os voluntários têm de fazer massa ou arroz.”

Não há nada que atrapalhe tanto a voluntária Cristina Ramirez, uma formadora de 48 anos, quetrabalha no Porto e mora em Ovar, como estes desarranjos. “Para mim, é complicado ter de dizer a alguém: ‘Não há comida, vamos tentar arranjar qualquer coisa’. Também é complicado quando alguém quer repetir e a gente tem de dizer: ‘Olhe, vamos ver se conseguimos dar.’”

Esta quinta-feira, com Marcelo Rebelo de Sousa na sala, não havia de faltar comida. Uma malga de caldo verde, um pão, um prato de bacalhau espiritual, uma mousse de chocolate, um bolo de bolacha ou um pouco de arroz doce de sobremesa, um café e ainda uma maçã para levar no bolso. “Vamos ouvir bocas”, temia a voluntária Joana Mota. Comida melhorada? “Sim. E mais quantidade do que é costume.”

Depois de dar abraços e beijos aos voluntários, Marcelo Rebelo de Sousa tirou o casaco, vestiu a T-shirt de voluntário e saltitou de mesa em mesa, sorridente. Algumas pessoas comiam com as caras fechadas, de costas, com os bonés ou os gorros enfiados, para melhor escaparem às câmaras dos jornalistas amontoados a um canto. Outras interagiam o mais possível.

– Senhor Presidente, uma sopa – pediu Rui Salvador, activo membro de Uma Vida Como a Arte.
– Quer mais ou quer menos?
– Cheia, senhor Presidente.
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Fernanda Fernandes estava encantada. “Acho muito bem que aqui esteja. Acho muito bem. Devia de ser mais vezes." Já dormiu na rua, já dormiu num centro de acolhimento temporário e agora está num quarto, com o companheiro, com acesso a cozinha, mas sem dinheiro para comprar alimentos. "O meu homem é uma pessoa de sustento. E nós, com as carrinhas, levávamos comida para casa, não é? Aqui não, não deixam. Leva-se uma maçã, mais não. O Presidente devia vir mais vezes para ver se a gente pelo menos tinha uma refeição melhor. Quando é que a gente aqui come mousse de chocolate? Que eu me lembre, nunca.”

Marcelo Rebelo de Sousa parecia estar a par de tudo o que ali se passa. “Rodaram já 36 pessoas”, disse, no fim do primeiro grupo. “Acaba a comida a determinada altura. É esticar, esticar, esticar”, referiu. “Há umas instituições mais à-vontade e outras muito menos à-vontade para cumprir esta missão. E esta missão ainda é uma missão com peso. Além dos sem-abrigo propriamente ditos, temos aqueles que têm casa mas não têm condições para confeccionar uma refeição. Têm uma casa precária, vivem num quarto de pensão”, explicou ainda.

Dali, partiu para o parque de estacionamento da Trindade, onde, todas as quintas-feiras, o grupo de voluntários Amor Perfeito distribui uma refeição completa a quem aparece. E aparecem famílias inteiras. Homens, mulheres, idosos e crianças, muitas crianças fazem fila para comer, conviver, arrecadar alguma roupa. Uma mulher pediu-lhe, aos gritos, que lhe arranjasse uma casa. Isso, respondeu o Presidente, "tem de pedir à câmara".

Inovação social: a nova forma de resolver problemas difíceis

Sónia Sapage, in Público on-line

Nos últimos anos, Portugal tem apostado na inovação social - sobretudo ao nível das empresas, das autarquias e do chamado terceiro sector - para resolver problemas que já não têm solução fácil através dos mecanismos tradicionais. Os subsídios não são a única resposta possível para a pobreza, o desemprego, a exclusão social ou o insucesso escolar, e é por isso que, até 2020, o Governo pretende investir 150 milhões de euros (fundos estruturais) para financiar estas soluções inovadoras, sem pôr em causa a função social do Estado.

Entre os exemplos de inovação que o Governo tem dado nas iniciativas organizadas sobre esta matéria há pelo menos cinco que vale a pena conhecer.

Um deles é a Academia de Código Junior, nascida em 2013, que tem como objectivo melhorar o sucesso escolar dos alunos do ensino básico, através da aprendizagem de programação informática. Além de alunos, esta empresa social também dá apoio a desempregados. É o primeiro título português de impacto social em Portugal (os títulos são uma espécie de acções negociadas numa bolsa especial, a Bolsa de Valores Sociais).

Outro é a plataforma digital Patiente Innovation que pretende criar uma rede de partilha à escala global em que os pacientes, e não só, partilham entre si inovações no tratamento de doenças raras.

A Speak é mais um dos exemplos de inovação social que o Governo elogia. Em 2015, venceu o Big Impact Award por ter desenvolvido um modelo de inclusão de imigrantes através do ensino de línguas e cultura em cidades por todo o país.

Do Porto vem outra boa prática. Trata-se de Mundo a Sorrir (MaS), uma organização não-governamental criada por um jovem dentista do Porto que trabalha na área da prevenção e tratamento da saúde oral para jovens oriundos de situações económicas desfavorecidas. A MaS também tem protocolos com escolas e venceu o prémio de empreendedorismo social do INSEAD em 2014.

Finalmente, o quinto projecto merecedor de destaque (até mundial) chama-se ColorAdd e implicou a criação de uma espécie de código universal que transforma cores em símbolos, facilitando a inclusão social de daltónicos.






"As casas para crianças em perigo não estão preparadas para as acolher"

Ana Dias Cordeiro, in Público on-line

Os jovens com comportamentos graves são no fundo "crianças aflitas", diz Rui Godinho

Rui Godinho é psicólogo, com um percurso de anos no acolhimento e intervenção junto de crianças e jovens em perigo. Foi director da Casa da Alameda até 2014 e fez parte da equipa central que coordenou o Plano DOM - Desafios, Oportunidades e Mudanças criado em 2008 para capacitar as equipas e as casas de acolhimento. Esteve um ano no gabinete de Agostinho Branquinho, secretário de Estado da Segurança Social e Solidariedade do governo de Passos Coelho. Desde Abril de 2016, é o director para a Infância e Juventude da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML). "Estamos numa fase de mudança muito significativa", diz. O programa CARE - Capacitar (os técnicos), Autonomizar (os jovens), Reconfigurar (as casas) e Especializar, que está a ser lançado para a área de Lisboa, é muito semelhante ao Plano DOM, que foi concebido para todo o país mas foi interrompido em 2012. O CARE pretende mudar dinâmicas e "dotar as casas de um modelo terapêutico e efectivamente protector das crianças" em perigo.

Em 2008 foi lançado o Plano DOM - Desafios, Oportunidades e Mudanças para melhorar o acolhimento de crianças e jovens em perigo, mas o programa foi interropido a meio. O que garante que a melhoria prevista para o acolhimento da SCML não será também interrompida?

Com as alterações legais de 2015 deram-se passos muito significativos e o que estamos a fazer na SCML é operacionalizar essas mudanças. Por um lado, impulsionar o acolhimento familiar para as crianças com menos de seis anos, e por outro, no que diz respeito ao acolhimento residencial, converter a dinâmica da intervenção numa dinâmica mais terapêutica. O projecto CARE foi aprovado há seis meses para as casas de acolhimento da SCML. A nova lei de protecção diz que as crianças com menos de seis anos não podem estar em instituições, têm de estar em famílias de acolhimento. Mas não há famílias de acolhimento. Nós temos um projecto para desenvolver essa opção do acolhimento em famílias. Por outro lado, o objectivo é dotar todas as casas de um modelo terapêutico e de um modelo efectivamente protector destas crianças. Vamos ter dois meses, no início deste ano, para fazer a contratualização casa a casa. E vamos ter dois anos para aplicar essa mudança. O problema é que as casas cristalizaram nas crianças que já não existem. A casa é que tem que adaptar-se às necessidades e não as crianças à casa.

Qualificação de equipas e melhoria do acolhimento suspensos

O que não está a correr bem?

De acordo com a lei que tínhamos antes de 2000, as casas de acolhimento estavam preparadas para acolher os órfãos, as crianças das famílias mais pobres ou numerosas, de famílias que não tinham dinheiro para os filhos estudarem, e que os colocavam na Casa Pia na esperança de lhes dar uma oportunidade. A lógica era dar o apoio social para pessoas desvalidas. Era esta a cultura das casas de acolhimento, na altura lares. A lei foi alterada e as casas de acolhimento passaram a ser para crianças em perigo. O problema é que nunca foi feita uma adaptação das casas à nova realidade.

O Plano DOM deu resultados em mais de uma centena de casas de acolhimento do país inteiro, mas foi interrompido. Foi por falta de verbas?

Não são só as verbas, é o conceito. As casas de acolhimento não estão preparadas para acolher e a ideia do Plano DOM foi fazer o processo de qualificação, contratar quadros superiores para as equipas técnicas e qualificar as casas. As pessoas que lá trabalhavam tinham as mesmas práticas de sempre, só que uma criança vítima de abuso sexual ou com comportamentos delinquentes ou com uma psicopatologia requer uma intervenção completamente distinta. Nós começámos esse processo com o Plano DOM. Depois houve mudança de Governo e foi escolhido um outro caminho. Houve mudança de estratégia. Não foi apenas uma questão de verbas. Abrir as portas à família, por exemplo, não custa dinheiro. É uma mudança de paradigma que está a acontecer em todos os países da Europa. Abrir as portas às famílias, não separar irmãos, prevenir a retirada da família e evitar que as crianças mudem de instituição. Por outro lado, muitas das vezes temos casas com equipas acolhedoras mas pouco qualificadas, pessoas que agem na base da boa-fé, da intuição, da boa vontade, e isso não chega.

De que tipo?

Temos de ter casas com menos crianças. Uma coisa é termos 12 jovens, outra é termos 20 jovens, outra ainda é termos 45 como acontece em muitas instituições. O efeito multidão é avassalador. É impossível, nem vale a pena pensar que é possível. Estes jovens precisam de uma intervenção individualizada, precisam de tempo, de disponibilidade, de competência técnica. O problema dos adolescentes é particularmente grave. E uma intervenção para adolescentes tem de ser uma intervenção especializada e terapêutica. Nós não podemos ter auxiliares e equipas muito reduzidas a intervir com estes adolescentes. Quando eles chegam com 16 anos, já trazem uma história muito prolongada de abandono, de maus tratos. Conforme foram crescendo, com o desamparo, eles próprios, que foram vítimas, passaram a agressores e a vitimadores.

O problema também é como se olha para estas crianças?

Estas crianças mesmo de 16 anos, com esses comportamentos graves, são crianças aflitas. Dentro delas têm um menino pequenino que não foi cuidado. E muitas vezes nós estamos preocupados com os comportamentos agressivos, e não estamos preocupados em reparar o que está lá atrás. Estes meninos não tiverem os pais a contar-lhes histórias quando adormeciam, não tiveram os abraços quando estavam tristes. Chegam aos 16 anos e não conhecem essa linguagem. Os comportamentos delinquentes são sintoma do sofrimento psíquico.Nós temos de reparar as agruras que ficaram para trás. Para isso é preciso termos equipas, do ponto de vista quantitativo e qualitativo, adequadas. Temos de ter pessoas que saibam transformar as dinâmicas destes jovens.

Os próprios jovens rejeitam as casas onde estão acolhidos?

Há casas que são conventos e ninguém vive num convento. Há casas que parecem uma prisão. Temos de ter casas normalizadoras e não instituições. O próprio modelo de intervenção é um modelo punitivo. E há rejeição dos próprios jovens. As equipas, perante a incapacidade ou a frustração de não conseguirem alterar os comportamentos, defendem-se com modelos punitivos. Só que a punição não traz a aprendizagem. O que acontece com estes jovens é que, enquanto estão neste registo punitivo, nós conseguimos condicionar o comportamento, mas quando deixa de existir a punição, voltam ao mesmo. O foco não pode ser no comportamento e no sintoma, tem de ser na transformação interna e na reparação. Para isso, temos que ter equipas altamente qualificadas. Este é um problema transversal a todas as casas de acolhimento do país inteiro.

Mas as mudanças só estão previstas para Lisboa.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, pelo peso histórico e responsabilidade social que tem, deve estar na linha da frente. Se a realidade se tornou mais complexa, também temos de adaptar-nos à realidade e imprimir essa dinâmica de mudança. A intervenção que nós queremos não é para tomar conta das crianças. É para que estas crianças tenham as mesmas oportunidades de facto para a vida que nós queremos que tenham os nossos filhos. Queremos uma intervenção que vá ao encontro não dos sintomas mas dos problemas e no sentido de impedir que se repitam os ciclos de exclusão que os seus pais e avós tiveram.






Portugal já recebeu mais de mil refugiados

Hugo Franco, Raquel Moleiro, in Expresso

São 1001 os migrantes recolocados em Portugal pela União Europeia. Os últimos oito chegaram esta quarta-feira de Itália

Portugal acolheu até ao momento 1001 refugiados ao abrigo do programa de recolocação União Europeia (UE), que começou há pouco mais de um ano. Segundo fonte do Ministério da Administração Interna, chegaram, no total, 722 migrantes provenientes da Grécia e 279 de Itália.
O último grupo, de oito pessoas, veio de Itália esta quarta-feira e permitiu que Portugal ultrapassasse a barreira simbólica dos mil refugiados. Recorde-se que o Governo se comprometeu a receber 4500 pessoas neste programa da UE no prazo de dois anos.

Este é um dos temas abordados na entrevista à ministra da Administração Interna ao Expresso, que será publicada este sábado.

O gabinete do ministro adjunto, Eduardo Cabrita, responsável pela integração dos refugiados em Portugal, especifica que os requerentes de proteção humanitária acolhidos por Portugal são 673 adultos e 328 crianças; 322 chegaram sozinhos e os restantes compõem 166 agregados familiares. Vivem atualmente em 89 municípios, de norte a sul do país.

Na última semana, o "Diário de Notícias" revelou que cerca de 200 refugiados já saíram do país.

Alunas da UMinho implementam projecto de voluntariado

in Correio do Minho

Um grupo de alunas da Universidade do Minho parte no próximo domingo, dia 15, para Cabo Verde no âmbito de uma acção de voluntariado que tem como principal objectivo ajudar cerca de cinquenta crianças carenciadas. O projecto 'Atelier dos Pikis', traduzindo do crioulo 'Atelier dos pequenotes', visa prestar apoio escolar a estas crianças e proporcionar actividades extracurriculares. Será implementado em Pedra Badejo, uma das localidades mais pobres da ilha de Santiago.

As responsáveis pelo projecto, Inês Carrola, Bárbara Araújo (ambas do curso de Ciências da Comunicação), Marisa Lopes (Educação) e Raquel Curto (Economia), pretendem quebrar a rotina pós-escolar das crianças cabo-verdianas, com idades entre os 6 e os 12 anos, com a realização de diversas iniciativas desde sessões de explicação, aulas de dança, ciclos de cinema, workshops e jogos educacionais. O espaço vai ser cedido pelo Centro Enfermeiro Lindo, uma instituição de acolhimento de menores com carências económicas e em situação de vunerabilidade social, parceiro na primeira fase do projecto.

O 'Atelier dos Pikis' tem como duração inicial meio ano, mas pretende que se prolongue mais tempo, com mais voluntários portugueses e outras parcerias. As promotoras contam já com o apoio futuro da Escola Secundária de Pedra de Bandejo, a Universidade da Praia e o Centro de Recuperação deToxicodependentes 'El Shadda'. O contentor parte do Porto rumo à ilha de Santiago no dia 23, carregado com centenas de livros, canetas, brinquedos, roupa, calçado, electrodomésticos e acessórios para a casa para serem depois distribuidos pelas instituições sociais da localidade de Pedra de Bandejo.

Esta acção solidária surgiu na sequência de um programa de voluntariadado, no Centro de Recursos para a Cooperação da UMinho, no qual Inês Carrola e Marisa Lopes participaram em agosto de 2015. Inês lançou o documentário 'Nha Storia' aquando o seu regresso a Portugal, nomeado em dezembro para os Prémios Sophia Estudante, da Academia Portuguesa de Cinema. O documentário conta a história de uma das famílias cabo-verdianas com quem conviveu durante o programa de voluntariado.

Para mais informações ou para saber como apoiar esta causa poderá visitar a página www.facebook.com/atelierdospikis ou através do e-mail atelierdospikis@gmail.com.

“Mesmo quando estamos a escolher para preencher critérios de paridade, estamos a escolher os melhores”

Carolina Reis, in Expresso

Ex-deputada do PSD Mónica Ferro defende a aprovação da proposta de lei do Governo que pretende criar paridade homens/mulheres nas empresas. “Sempre afirmei publicamente que não sentia o meu mérito em nada beliscado, por exemplo, quando estive deputada e o estive porque havia uma política de paridade que se traduzia num patamar mínimo de representação para cada um dos géneros”

Cem personalidades e 50 organizações subscreveram uma carta aberta a pedir ao Parlamento a aprovação de quotas de paridade nas empresas. Mónica Ferro, ex-deputada do PSD especialista em questões internacionais e professora universitária, é uma das caras de direita que se destaca. Feminista, defensora da igualdade, garante que a paridade é uma questão de Direitos Humanos - não é nem de esquerda nem de direita.

Porque assinou a carta aberta em defesa da aprovação de quotas de paridade?
Estas iniciativas que vêm da sociedade civil e que interpelam o Governo e os partidos políticos no sentido de promover iniciativas legislativas em relação à paridade são sempre de apoiar quando concordamos com o conteúdo. Temos a ideia do exercício da política muito confinada aos partidos e isto é uma manifestação de política de um grupo de cidadãos e de cidadãs que se junta em torno de uma causa. Isso colhe logo a minha simpatia. E acredito, profundamente, que a paridade é um objetivo, um valor, que quer do ponto de vista dos Direitos Humanos, quer do ponto de vista económico, tem de ser impulsionado. Ainda é preciso mais medidas, mais debate sobre estas matérias.

Falta de alimentos provoca «crise como nunca vimos»

Texto J.B., in Fátima Missionária

Pessoas de quatro países estão em sofrimento devido à escassez de alimentos a um nível sem precedentes

Dez milhões de pessoas estão a passar fome no Iémen, Sudão do Sul, Nigéria e Somália devido a conflitos nestes Estados. Apesar do total de doações ser atualmente seis vezes superior ao de há 20 anos, tendo alcançado um valor recorde em 2016, as carências ultrapassam as ofertas e o financiamento chega apenas a cerca de metade dos necessitados, aponta Stephen O`Brien, coordenador de Assuntos Humanitários da ONU.

A organização humanitária «Save the Children» é um dos organismos que se encontra a estender ao máximo os seus recursos. «Estamos num momento crítico», referiu Gareth Owen, diretor da organização, adiantando que existem «quatro países onde a fome é eminente, o que é uma ideia verdadeiramente assustadora».

Para além da falta de alimentos nestes quatro países, existem ainda milhões de pessoas na Etiópia e no Quénia em situação de insegurança alimentar. «Isto está a criar uma preocupação real de que estejamos a enfrentar uma crise grave como nunca vimos», demonstrou o responsável que trabalha há 25 anos na região do Corno de África, em declarações do jornal «The Guardian».

Cáritas apela ao voluntariado

in Rádio Pax

O peditório nacional da Cáritas decorre de 16 a 19 de Março e a Cáritas Diocesana de Beja apela à participação de voluntários.
Todos os que queiram ajudar a reforçar a acção de rua da Cáritas devem dirigir-se ou contactar a Instituição.

O peditório nacional visa recolher fundos para dar continuidade ao trabalho de apoio às muitas famílias e pessoas em situação de fragilidade que procuram a ajuda da Cáritas.

No ano passado, em todo o país, estiveram envolvidos mais de 4 mil voluntários e foram angariados cerca de 265 mil euros. Durante o ano de 2016 a Cáritas apoiou mais de 70 mil pessoas.

Fátima Prazeres, vice-presidente da Cáritas de Beja, deixa o apelo aos voluntários e refere a importância dos mesmos para o sucesso do peditório.

A extensão da Diocese faz com que seja necessário um número elevado de voluntários, nomeadamente nas paróquias de menor dimensão.

Marcelo “voluntário” distribuiu sopas e um alerta: País precisa de plano urgente para os sem-abrigo

in RR

Há quase um ano que não existe um plano nacional de apoio. Há um "buraco", disse o Presidente no Porto, onde esteve a distribuir refeições, na abertura do primeiro restaurante solidário.

Há "um buraco" no plano nacional de apoio a pessoas sem-abrigo, instrumento fundamental para algumas instituições poderem sobreviver. O alerta é deixado pelo Presidente da República na noite de quinta-feira.

"O último plano terminou no final de 2015, em 2016 não houve plano, mas sim um prolongamento parcial do plano e, este ano, o Governo ficou de apresentar um novo plano nacional, estando algumas instituições à espera porque é uma necessidade", disse Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, após distribuir refeições no primeiro restaurante solidário do Porto.

Esperando que o executivo de António Costa dê uma resposta "rapidamente", o chefe de Estado salientou que é necessário fazer o levantamento das necessidades em todo o país, sobretudo nos grandes centros urbanos, e saber quais as instituições de apoio existentes e o que fazem para poder apoiá-las.

"Tem de haver um plano geral de apoio a estas instituições senão não sabem como sobreviver", considerou.

Marcelo Rebelo de Sousa realçou que há "um buraco", nomeadamente no apoio às pessoas sem-abrigo.

À chegada ao restaurante, coordenado pelos voluntários do Centro de Apoio aos Sem-Abrigo (C.A.S.A), onde de segunda-feira a domingo são servidas cerca de 170 refeições diárias a pessoas carenciadas, o Presidente da República despiu o casaco, vestiu a camisola de voluntário, calçou as luvas e distribuiu comida.

Enquanto ia perguntando às pessoas se queriam mais sopa, se a comida estava boa ou as ajudava a sentar, dada a mobilidade reduzida, Marcelo Rebelo de Sousa ia ouvindo as suas queixas.

"É importante chamar à atenção para este problema, há instituições que vivem situações muito complicadas", frisou, sublinhando que ajudar estas pessoas é uma "missão de peso".

Esta sua presença visa transmitir uma mensagem de esperança a esta gente e mostrar-lhes que não estão esquecidas, abandonadas e marginalizadas, explicou.

"Não se podem sentir discriminadas porque têm o seu papel na sociedade", ressalvou.

Pobreza diminui "um pouquinho"

O problema dos cidadãos sem-abrigo é mais grave em Lisboa do que no Porto, considerou.

A noite do Presidente da República não terminou no restaurante, tendo ainda ido para o parque de estacionamento junto à Estação de Metro da Trindade distribuir mais refeições, mas agora em contexto de rua.

Todas as quintas-feiras, um grupo de amigos, sob o nome "Amor Perfeito", distribuem refeições e bens alimentares a pessoas com as mais diferentes dificuldades.

Acarinhado por todos, o chefe de Estado lembrou que a pobreza diminuiu "um pouquinho" em 2016, mas continua a existir muita porque há muitas pessoas que tinham um certo nível de vida e, de repente, este caiu a pique.
Enquanto esperava por uma malga de massa de bacalhau, uma das pessoas na fila recomendou, em jeito de brincadeira, "cuidados" ao Presidente da República porque estava a ficar com a barriga "muito grande".

Já outros ficavam positivamente surpreendidos com a sua presença, elogiando a sua solidariedade, desejando que todos os políticos lhe seguissem o exemplo.

Todas as semanas, o "Amor Perfeito" distribui cerca de 150 refeições e uns sacos com bens alimentares oferecidos a famílias com crianças, a idosos, a sem-abrigo ou desempregados em dificuldades.

16.2.17

Cáritas Portuguesa visita refugiados na Grécia

Ana Lisboa, in RR

Uma equipa liderada pelo presidente do organismo, Eugénio Fonseca, parte esta quinta-feira.

A Cáritas Portuguesa vai visitar refugiados apoiados pela congénere grega a quem dão ajuda financeira.

“Mais do que conhecer, vamos viver melhor a situação que está a ser sentida por aquela pobre gente. Depois vamos também avaliar a aplicação que está a ser feita dos recursos que temos enviado até agora no programa da PAR, a Plataforma de Apoio aos Refugiados, que se chama 'Linha da Frente'”, afirma o presidente da Cáritas, Eugénio Fonseca.

Nestas declarações à Renascença, garante que a Cáritas quer "criar condições às pessoas dos campos e também criar condições de maneira a que as pessoas fiquem no seu país, porque é isso que elas querem”.

Eugénio Fonseca adianta que já há uma ideia onde vai ser investido o dinheiro angariado na operação "10 Milhões de Estrelas", iniciativa que destinou 35% do total de donativos recolhidos.

“Já sabemos que em princípio, para além dos apoios nos campos, nós vamos ter que dar ajuda à Cáritas grega para manter os dois hotéis, a construção já existia, portanto, foi adaptado para refugiados, para que se possa fazer melhor a transição entre os campos e os países de destino. E esse trabalho é um trabalho que está a ser feito de excelência, faz-se um apoio psicológico mais contínuo, dá-se outras hipóteses de conforto, conversa-se com as pessoas para amenizarmos, muitas vezes, ressentimentos que esta situação injusta está a gerar nas pessoas”, descreve.

A equipa da Cáritas vai estar até segunda-feira na Grécia. No programa está, entre outras visitas, uma deslocação ao campo de Lesbos.

A violência no namoro ​é normal. Um em cada quatro jovens acha isto

in RR

Controlo? Qual controlo? Violência? Qual violência? Estudo da UMAR revela dados que mostram uma “naturalização” da violência no namoro.

Um em cada quatro jovens legitima a violência no namoro, considerando normais ou aceitáveis actos de violência física, psicológica e sexual, entre outros tipos, indica um estudo nacional apresentado esta terça-feira pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR).

O estudo – que tem como amostra 5.500 jovens com uma média de idades de 15 anos provenientes de todo o território nacional – revela também dados sobre vitimização. Cerca de um quinto dos inquiridos (19%), com maior incidência nas raparigas, disseram que tinham sido vítimas de algum comportamento de violência psicológica.

Em conferência de imprensa, a presidente da UMAR, Maria José Magalhães, vincou a importância da realização de estudos e de campanhas sobre violência no namoro. "Sabendo o que elas e eles pensam, podemos trabalhar a legitimação que é um indicador de uma eventual violência doméstica no futuro", disse.

O estudo desenvolvido pela UMAR inclui também, e pela primeira vez, análises sobre violência através das redes sociais e sobre actos de perseguição.

O estudo revela que 28% dos inquiridos não reconhece como violência situações de controlo como proibir de sair sem o companheiro ou de falar e estar com um amigo, bem como obrigar a trocar determinada peça de roupa.

No que se refere à violência sexual, 24% legitimam este tipo de violência e 13% consideram normal a pressão para ter relações sexuais, sendo a maioria rapazes (22%) face às raparigas (5%).

Quanto à vitimização, 19% dos inquiridos admitiram terem sido vítimas de violência psicológica, 15% de perseguição, 11% de violência via redes sociais, 10% de controlo e 6% de violência sexual.

Focando-se na violência através das redes sociais, o estudo revela que há uma maior prevalência de rapazes a afirmar sofrer estas formas de violência (12%), ainda que também as raparigas (11%) digam ser vítimas.

Sobre o insulto e humilhação “online”, 11% dos inquiridos, sem grandes diferenças entre rapazes e raparigas, dizem ter sido vítimas.
"Estes comportamentos de abuso 'online' são inquietantes" na medida em que cruzam aspectos de actos de insulto que se tornam públicos e podem tornar-se virais e ter persistência no tempo, tendo um "potencial de dano muito alto e indicam um uso das redes sociais como canais de abuso e opressão", refere o relatório.

“Naturalização da violência”
A UMAR também apresentou uma comparação com os números do ano passado - mas frisando sempre que a amostra de 2017 abrange inquiridos de um território mais alargado, uma vez que inclui Portugal Continental e ilhas – registando-se um aumento de 10 pontos percentuais na vitimização psicológica (de 9% em 2016 para 19% este ano) e de três pontos percentuais no controlo (de 7% para 10%).

Em jeito de análise aos dados, Maria José Magalhães, lamentou que "a naturalização da violência esteja presente na sociedade em geral" e lançou alertas aos pais, educadores, docentes e instituições.

"A sociedade adulta é responsável pelas mensagens que são passadas à geração seguinte", disse a presidente da UMAR.

A secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino, frisou, por sua vez, que "há uma cultura de violência que tem de ser combatida", sendo a "grande aposta a prevenção e a consciencialização".

Sim, há sexo e do bom depois dos 80

Rosa Ruela, in Visão

Leia este artigo a ouvir em repeat a canção Eu Sei Que Vou Te Amar, de Tom Jobim. Também pode ser nas versões de Caetano Veloso ou de Creuza com Vinicius de Morais. Importante é confirmar que a atividade sexual é possível até com 80 ou mais anos. E tem impacto na qualidade de vida, na saúde física e no bem-estar subjetivo

Não fomos nós que inventámos. O que vai ler parte de uma análise que um psicólogo social e uma enfermeira fizeram dos resultados de um inquérito sobre relações sexuais, incluído no English Longitudinal Study of Ageing (ELSA, dados recolhidos junto de uma amostra representativa da população do Reino Unido com 50 anos até mais de 90).

O principal objetivo de David Lee, investigador na Universidade de Manchester, e Josie Tetley, também professora universitária, era o de perceber se o sexo é importante para a saúde e o bem-estar geral dos mais velhos. Para isso tinham de varrer desde logo um estereótipo – o de que nem elas nem eles querem saber dos prazeres de cama, um trabalho facilitado pelo Inquérito sobre Relações Sexuais, realizado pelo ELSA a mais de 7 mil pessoas, entre 2012 e 2013.

Já se esperava que as mulheres se queixassem de falta de líbido e da secura vaginal, e que os homens estivessem sobretudo preocupados com as dificuldades de ereção. Mas, além de responderem com cruzinhas a uma série de perguntas, os participantes tinham espaço livre para comentários finais. E foi aí que surgiram as informações mais surpreendentes.

Para começar, os investigadores constataram que, apesar de a atividade sexual ir se alterar com o avançar dos anos, a relação amorosa pode continuar satisfatória e recompensadora. Escreveu uma mulher de 60-69 anos: “Para mim e o meu parceiro, a motivação para embarcarmos numa atividade sexual juntos (além dos beijos e das carícias) diminuiu bastante depois da menopausa, mas isso não nos preocupa!” E um homem, com mais de 80 anos, contou: “Eu e a minha mulher dormimos na mesma cama, beijamo-nos e abraçamo-nos antes de adormecer. Gostamos muito da companhia um do outro.”

Quanto ao equilíbrio nas relações sexuais, as diferenças entre os sexos são notórias, independentemente da idade. Elas referem mais vezes sentirem-se “obrigadas”, e eles reportam com maior frequência que não têm os mesmos gostos e aversões das suas parceiras. Mas, seja com mais ou menos vontade, o sexo continua a acontecer, lê-se.

“Penso que o sexo é muito importante para ter uma vida feliz, independentemente da idade. Na verdade, quando estamos a fazer amor podemos ter a idade que queremos, não nos sentimos velhos.” (Mulher, 70-79 anos)

“Estou extremamente contente com a relação sexual que tenho com a minha mulher, e muito satisfeito por, apesar da idade, o sexo para ambos continuar a ser tão bom como sempre foi.” (Homem, 70-79 anos)

Com a idade, o sexo não tem de ser obrigatoriamente sinónimo de penetração. Mas se estão ambos interessados em manter a qualidade da relação amorosa, tudo corre bem até na cama, concluiu-se ao ler o que escreveu, separadamente, um casal:
“Sempre tive uma relação sexual satisfatória com o meu maravilhoso e querido marido, mas com a idade, e em parte por causa dos medicamentos, a nossa atividade sexual foi-se esvanecendo aos poucos. Mas ainda mostramos afeto com frequência – ou seja, todos os dias, a toda a hora.” (Mulher, 70-79 anos)

“Se estamos mesmo apaixonados pela nossa parceira, não temos vontade ou sequer pomos a hipótese de ter relações sexuais com outra pessoa. E eu e a minha mulher estamos ainda tão apaixonados como estávamos quando casámos.” (Homem, 80+ anos)

A grande novidade, notam os investigadores, é que ter a perceção de que a vida sexual é boa leva a uma sensação de bem-estar e que esse bem-estar subjetivo tem, por sua vez, implicações diretas na saúde física. Há lá desculpa melhor?

Insultar a namorada é violência? Não, respondem 30% dos rapazes

in Público on-line

Proibir uma namorada de sair sozinha é violência? E impedir o outro de estar com um amigo de que não se gosta? E vetar uma determinada peça de roupa que o parceiro quer usar, pode ser considerado um comportamento violento? Não, não e não, responderam 32%, 31% e 41% dos 5500 jovens inquiridos num estudo sobre violência no namoro, divulgado nesta terça-feira pela organização não-governamental UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta.

Com uma média etária de 15 anos, os jovens inquiridos neste estudo deixaram claro, para a secretária de Estado da Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, que "há uma cultura de violência na sociedade que tem de ser combatida".

Porque "ninguém acorda um dia transformado em agressor ou vítima", a secretária de Estado insistiu na ideia de que a chave está na prevenção. "Só assim conseguiremos mais tarde não ter números tão assustadores em termos de homicídios conjugais e não andarmos sempre a correr atrás do prejuízo em termos de violência doméstica", enunciou.

As elevadas percentagens de jovens que encaixam como "normais" comportamentos violentos entre namorados são, ainda na óptica de Catarina Marcelino, "assustadoras". Na pormenorização dos dados sobre a legitimação da violência, conclui-se que 14% dos jovens não reconhecem como actos de violência num contexto de namoro várias atitudes que são na verdade violência psicológica (o insulto numa discussão, a ameaça, a humilhação, o rebaixar do outro). O acto mais legitimado é mesmo o insulto, com 30% dos rapazes inquiridos a classificarem este comportamento como normal, contra 18% das raparigas que consideraram o mesmo. Já as ameaças são legitimadas por 12% dos rapazes e apenas 6% das raparigas.

Igualmente preocupante é que o controlo do outro numa relação também é tido como manifestação de amor numa relação entre dois jovens, na opinião de 28% dos inquiridos (2558 rapazes e 2965 raparigas). Dentro desta categoria, 32% dos inquiridos classificaram como normal que um rapaz ou uma rapariga proíbam o namorado ou namorada de sair sem eles. Quanto à proibição do outro vestir determinada peça de roupa, 41% sustentaram que tal não configura um comportamento violento.

Pornografia de vingança

Combate à violência de género e estereótipos vai chegar às salas de aula

A violência nas redes sociais foi pela primeira vez estudada neste inquérito da UMAR e as conclusões também não são muito animadoras. É que 24% dos jovens não consideram as situações e controlo e abuso nas redes sociais como violência. Exemplos? Partilhar mensagens ou fotos do namorado sem o respectivo consentimento é tido como normal por 15% dos inquiridos. Isto mostra, por si só, "uma grande vulnerabilidade à violência no namoro online e a uma possível exposição a comportamentos de pornografia de vingança", alertam as autoras do estudo, depois de terem sublinhado que a informação colocada nas redes é "persistente" e pode ser replicada sem qualquer tipo de controlo.

Nas diferenças entre os géneros, o estudo especifica que os rapazes são mais propensos a considerar que partilhar conteúdos íntimos sem autorização não constitui violência: 20% dos rapazes responderam assim, contra apenas 10% das raparigas. Do mesmo modo, o insulto verbal online não é percepcionado como violência para 16% dos jovens.

Quanto à violência sexual nas relações de namoro, o retrato tra a-se em poucas linhas: 36% dos jovens consideram legítima a pressão para beijar à frente dos amigos (47% dos que o defendem são rapazes e 27% raparigas) e 13% vão ainda mais longe ao apontar como legitima a pressão sobre o outro para ter relações sexuais.

Por outro lado, a perseguição, durante ou logo após o namoro, também é tida como demonstração de amor, sobretudo entre os rapazes (33%). Já esbofetear e empurrar o outro sem deixar marca é normal para uma imensa minoria dos inquiridos: 9% dos rapazes e 4% das raparigas não reconhecem tais comportamentos como actos de violência.

Nas perguntas sobre vitimação, cuja amostra se reduziu para os 3471 inquiridos (ou seja, aqueles que estavam ou já tinham estado numa relação de namoro), 19% responderam que já tinham vivenciado situações de violência psicológica, 15% tinham sido alvo de perseguição e 11% disseram-se vítimas de violência nas redes sociais. Este último é um número "alarmante" para as autoras do estudo. Que sublinha ainda um dado curioso: há mais rapazes a dizerem-se vítimas deste tipo de violência (12%) do que raparigas (11%). Quanto à proibição de estar ou de falar com alguém, 24% das raparigas afirmaram já terem sido controladas a esse nível.

As percentagens dos jovens que se disseram vítimas de algum tipo de violência aumentaram comparativamente com o ano anterior, no que aos diferentes tipos de violência diz respeito. Mas não é certo que a violência entre os jovens tenha aumentado. A amostra foi maior e, por outro lado, pode ter-se apurado entre os jovens a percepção do que é violento numa relação a dois.





Congresso pelo bem-estar dos portugueses

Texto Juliana Batista, in Fátima Missionária

Sandra Araújo, diretora executiva da Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal

O Congresso Nacional de Serviço Social vai reunir em Beja esta classe profissional pela «defesa dos direitos humanos» e pela «promoção do bem-estar de todos» os cidadãos

A diretora executiva da Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal (EAPN – Portugal), Sandra Araújo, vai intervir no quarto Congresso Nacional de Serviço Social, que vai realizar-se no Instituto Politécnico de Beja (IPB), dias 23 e 24 de março, sob o tema «Serviço social e direitos sociais no limiar do século XXI – Desafios para os/as assistentes sociais».
 
O encontro será uma ocasião para festejar o Dia Mundial do Serviço Social, debatendo e discutindo a profissão e propostas em «tempos de transformação das políticas públicas e crescente risco de questionamento dos direitos humanos». Além de Sandra Araújo, vão intervir Edmundo Martinho, vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Cristina Louro, vice-presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, Octavio Aguado, professor titular da Universidade de Huelva (Espanha), entre outros.
 
Por confirmar, está a participação de Agostinho Moreira, sacerdote e presidente da EAPN – Portugal. Entre outros assuntos, vão abordar um tema como a «Pobreza e desigualdade e o papel do assistente social, na promoção de comunidades sustentáveis». O Congresso Nacional de Serviço Social é organizado pela Associação dos Profissionais de Serviço Social (APSS), em parceria com o IPB e a EAPN – Portugal.

Os organizadores apelam à «participação ativa» dos profissionais do setor para «que este congresso possa mostrar a força e o empenho de toda uma classe profissional, na defesa dos direitos humanos e na promoção do bem-estar de todos os nossos concidadãos». As inscrições podem ser feitas online. A iniciativa terá lugar no auditório um, do Edifício da Presidência do IPB.

A chave para erradicar a pobreza e a fome

Texto Miguel Marujo, in Fátima Missionária

A incapacidade de atuar agora para tornar os sistemas alimentares mais resistentes às mudanças climáticas comprometerá seriamente a produção de alimentos em muitas regiões, o que por sua vez poderá pôr em causa as metas de desenvolvimento do milénio

Os esforços internacionais para acabar com a fome e a pobreza extrema até 2030 podem estar em causa com a atual incapacidade de agir a tempo de produzir alimentos em quantidades suficientes para as populações, tornando os sistemas alimentares mais resistentes às alterações climáticas.

«A agricultura é a chave para resolver dois dos maiores problemas que a humanidade enfrenta atualmente: erradicar a pobreza e a fome e contribuir para manter as condições climáticas estáveis ​​nas quais a civilização possa prosperar», disse o diretor-geral da Organização da Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla inglesa), José Graziano da Silva, falando de alterações climáticas. O diretor-geral da FAO sublinhou em especial a necessidade de apoiar os pequenos agricultores nos países em desenvolvimento para se adaptarem a essas alterações climáticas.

Há abordagens inovadoras que podem ajudá-los a melhorar rendimentos e a construir a sua resiliência, disse Graziano da Silva, dando como exemplos a «adubação verde», um maior uso de culturas de cobertura fixadoras de nitrogénio, melhor gestão sustentável do solo e a integração da produção animal e técnicas agroflorestais nos sistemas de cultivo.

14.2.17

Combate à violência de género e estereótipos vai chegar às salas de aula

Natália Faria, in Público on-line

Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade anunciou esta terça-feira que temas vão ser tratados no contexto da educação para a cidadania, do pré-escolar ao 12º ano, já a partir do próximo ano lectivo.

A questão da violência e dos estereótipos de género vai começar a ser tratada nas salas de aula, do pré-escolar ao 12.º ano, já a partir do próximo ano lectivo. “Estas questões têm que começar a ser trabalhadas no pré-escolar, para que as crianças as encarem como negativas desde muito cedo, tal como hoje fazem a reciclagem a partir dos três anos”, anunciou a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino.

Contra uma “cultura de violência que está instalada” nas relações entre homens e mulheres e que leva a que todos os anos dezenas de mulheres apareçam mortas às mãos dos actuais ou antigos companheiros, Catarina Marcelino apontou a prevenção como caminho a seguir na estratégia governamental. “É no pré-escolar, entre os três e os cinco anos, que nós, enquanto seres sociais, integramos de uma forma quase definitiva o que é ser homem e o que é ser mulher. E, portanto, trabalharmos os estereótipos nestas idades produz efeitos”, insistiu, antecipando assim a filosofia norteadora da estratégia de Educação para a Cidadania que, a partir do próximo ano lectivo, vai chegar às escolas de todo o país. "A proposta visa trabalhar na sala de aula os temas dos direitos humanos e dos estereótipos de género, onde se inserem as questões da violência e da desigualdade, com profissionais de educação. Estamos ainda a estudar se haverá o envolvimento de outras organizações", concretizou a governante, numa antevisão da iniciativa que deverá ser apresentada "em breve", conjuntamente com o Ministério da Educação.

No mesmo dia em que a campanha de combate à violência no namoro “Muda de Curso”, iniciada em Outubro de 2016, chegou aos outdoors de todas as cidades com politécnicos ou universidades – naquela que é a segunda fase da campanha –, Catarina Marcelino anunciou ainda o lançamento de uma linha de financiamento até 50 mil euros de projectos que venham a ser desenvolvidos por associações ou federações académicas e que, “de uma forma disruptiva e impactante”, combatam o fenómeno. “Cada projecto pode ser financiado até um máximo de cinco mil euros e a ideia desta linha é promover iniciativas criativas dentro das universidades que permitam trabalhar estes temas com os jovens”, explicou, acrescentando que as iniciativas podem ir de TEDtalks a conferências, teatro, conferências, momentos musicais ou produção de merchandising.

A estas iniciativas, apresentadas no dia dos namorados, Catarina Marcelino somou ainda a notícia de que sete projectos desenvolvidos por organizações não-governamentais passaram a contar com financiamento governamental. Destinados todos eles a "desmistificar quer as questões da violência quer as questões de género nas relações de poder", nomeadamente no namoro, os projectos chegam no seu conjunto a 15 mil jovens, dispondo de um financiamento global da ordem dos 650 mil euros.

O crime de violência no namoro ganhou explicitação no Código Penal em 2014, ano em que foi acrescentada uma alínea específica ao artigo 152º, relativo ao crime de violência doméstica. E, naquele ano, as autoridades registaram um aumento significativo das queixas. Entre 2015 e 2016, PSP e GNR registaram um aumento de 6% no número de queixas. Foram 1975 em 2016. Já em 2014 tinham sido registadas 1691 queixas. Até então, apenas a PSP dispunha de dados susceptíveis de permitirem a monitorização da violência entre namorados e, no caso desta força policial, as queixas haviam aumentado de 1049 em 2013 para as 1550 de 2014.

Violência sem classe

Paula Ferreira, in Jornal de Notícias

Uma vida marcada na primeira chantagem, na primeira agressão. E que se repete, sempre. Até ao dia em que ela ou ele furam o bloqueio do silêncio imposto pelo medo, pela vergonha. Têm a coragem de se assumir como vítimas. Hoje celebra-se o Dia dos Namorados, tempos de corações vermelhos trespassados por setas de Cupido, dia de troca de rosas. Ou mensagens lamechas. E, enfim, do comércio faturar mais do que o normal.

O Dia de S. Valentim - o santo que desafiou Cláudio, o imperador adverso ao casamento dos jovens antes de entrar no seu exército - transformou-se, também, num dia de denúncia. Nunca é de mais lembrar: chantagem e posse são palavras interditas numa relação a dois. Mas a realidade amorosa, em certos casos, é dura, e os sinais surgem muito mais cedo do que seria expectável. Como o JN revela na edição de hoje, há crianças de 13 anos vítimas de violência no namoro. Os resultados de um inquérito desenvolvido pela UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) deixam a nu uma realidade preocupante. Por exemplo, 24 por cento dos jovens ouvidos consideram normal partilhar, nas redes sociais, fotos íntimas ou insultar. Normal, a posse; normal, o insulto. E uma percentagem menor - mas ainda muito mais jovens do que seria razoável - legitima a violência psicológica.

Um longo caminho foi, no entanto, feito. A perceção de que a violência existe é a grande conquista, embora jovens e também adultos considerem apenas como ato violento a agressão física. Nada mais perigoso. Estudos recentes, em que a UMAR e a Associação de Apoio à Vítima assumem papel fundamental na denúncia e na pedagogia, revelam algo escondido durante muitos anos. Na violência não existe classe social, e nem diminui à medida que as habilitações académicas aumentam. Não deixa de ser surpreendente alguém, formado e informado, independente e autónomo, permitir que o outro controle os seus passos, as suas amizades, o comprimento da saia ou a parte do corpo que fica a descoberto. Não deixa de ser surpreendente que alguém formado e informado, independente e autónomo, seja maltratado, hospitalizado, uma, duas, três vezes... perca a conta das agressões e continue a sofrer em silêncio. O Dia de S. Valentim é ridículo, soa a falso. Mas continuaremos a celebrá-lo para que as vítimas daqueles que lhes deveriam dar afeto possam acordar e inverter a velha máxima: o silêncio é de ouro. O silêncio é o inimigo, o principal aliado de quem agride e humilha. Assim, além de fomentar o negócio, o santo casamenteiro, nos novos tempos, desperta também as consciências.


UE e os Estados-membros devem trabalhar juntos para acolher os refugiados - Amnistia


in RTP on-line


Um relatório da Amnistia Internacional (AI) divulgado hoje recomenda à União Europeia (UE) e aos seus Estados-membros que trabalhem em conjunto, no sentido de acolherem noutros países os refugiados atualmente nas ilhas gregas.

Outra recomendação da AI é apoiar financeiramente "de imediato e de forma adequada" a Grécia, um apoio que deve ser também logístico e técnico, para garantir um acolhimento digno das pessoas que chegam às ilhas helénicas, assim como um expedito processo dos pedidos de asilo.

A organização não-governamental internacional recomenda a intensificação da relocalização dos requerentes de asilo, atualmente na Grécia, aumentando o número de lugares disponíveis para a deslocalização em cada país, e permitir o acesso a este regime para aqueles que têm chegado à Europa, após a conclusão do acordo UE-Turquia, combinando rapidamente com pedidos de realojamento.

Outra recomendação é o estabelecimento de esquemas de reagrupamento familiar acessíveis, para garantir a reunião rápida dos refugiados e migrantes que estejam na Grécia aos familiares próximos, que residam noutros países europeus, concedendo vistos humanitários para os requerentes de asilo com "necessidade imediatas de cuidados especiais".

"Os Direitos Humanos dos migrantes são essenciais para a negociação e aplicação de quaisquer acordos de cooperação de migração com países não pertencentes à UE, incluindo os acordos de readmissão, a cooperação técnica com a Polícia, Guarda de Fronteira, Guarda Costeira, ou outros instrumentos de "soft law", como parcerias para a mobilidade", afirma a AI.

A AI recomenda que seja avaliado o impacto dos Direitos Humanos quando se coopera com países terceiros no âmbito das políticas de migração, e a Comissão Europeia deve "desenvolver mecanismos que permitem o escrutínio público da cooperação com países terceiros, incluindo por meio de relatórios públicos", como sobre o progresso da implementação da Declaração UE-Turquia, como recomendado pelo Provedor de Justiça Europeu, no passado dia 18 de janeiro.

"Respeitar as decisões do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, mantendo a suspensa as transferências de requerentes de asilo da Grécia ao abrigo do Regulamento Dublin e assumir a responsabilidade pelos requerentes de asilo", e "apoiar a Turquia no desenvolvimento de um sistema de asilo e um quadro jurídico que cumpre plenamente as obrigações internacionais da Turquia em relação aos refugiados, independentemente da nacionalidade", são outras das recomendações da AI.

Outra recomendação é a de "prestar assistência financeira significativa, previsível e flexível, bem como suporte técnico e operacional à Turquia e certificar os refugiados para usufruam dos direitos económicos e sociais, acesso à saúde, educação e mercado de trabalho".

Segundo a organização internacional, é recomendável a concretização de um programa de realojamento em grande escala na Turquia e providenciar rotas seguras e legais para os refugiados de modo a alcançarem os países da EU através da Turquia, assim como emitir vistos humanitários, promover o reagrupamento familiar, dar vistos de estudante, como forma de proteger os que necessitam de proteção internacional, e gerir a migração de forma ordenada e atempadamente.







Amnistia diz haver refugiados em “perigosas e repugnantes condições de vida"

in TVI24

Para a organização humanitária, a responsabilidade é do acordo celebrado entre a União Europeia e Turquia. Milhares de refugiados estão em perigo

O acordo assinado pela União Europeia (UE) e a Turquia deixou milhares de refugiados e migrantes em “perigosas e repugnantes condições de vida” e não deve ser replicado com outros países, afirmou a Amnistia Internacional num relatório agora divulgado, intitulado “Uma rota para o desespero: Impacto dos Direitos Humanos do Acordo UE-Turquia".

Um ano volvido sobre o acordo assinado entre a UE e Ancara, a Amnistia Internacional afirma que esse entendimento diplomático deixou “milhares de pessoas expostas a repugnantes e inseguras condições nas ilhas gregas”, havendo uma “flagrante violação dos seus direitos e da lei internacional”.

O Acordo UE-Turquia tem sido um desastre para os milhares que ficaram ‘encalhados’ nas ilhas gregas num perigoso e desesperante limbo”, afirma a diretora-adjunta da Amnistia Internacional para Europa, Gauri van Gulik, em comunicado .

A responsável considera que “não é honesta” a forma como os líderes europeus se referem ao acordo, que apontam como um sucesso, “fechando os olhos ao insuportável alto custo para aqueles que sofrem as suas consequências”.

A premissa central do acordo de fazer regressar à Turquia, cada cidadão irregular chegado às ilhas gregas, baseia-se no pressuposto de que a Turquia é segura para os requerentes de asilo”, todavia a Amnistia Internacional demonstra que alguns requerentes foram enviados de volta para a Turquia, “sem lhe ter sido dada oportunidade de pedir asilo ou apresentar recurso, numa clara violação do direito internacional”.

Por enquanto, a Turquia ainda não é um país seguro, a UE deve trabalhar com as autoridades gregas para transferir com urgência os requerentes de asilo para a Grécia continental e os governos europeus deveriam dar-lhes acesso a uma deslocalização para outros países”, afirma Gauri van Gulik.

"Morrer de frio às portas da Europa"
No comunicado, a Amnistia Internacional sustenta que "ninguém deveria morrer de frio às portas da Europa".

Os líderes que afirmam que o Acordo UE-Turquia pode ser um modelo para outros países como a Líbia, Sudão ou o Níger, devem em primeiro lugar olhar para as consequências horríveis e ser avisado que de tal situação nunca deverá ser repetida", refere-se.

Afirma a Amnistia que quando o Acordo entrou em vigor, todos os refugiados e migrantes foram automaticamente colocados em “centros de detenção”, e embora já não estejam num regime de detenção estrito, não podem, todavia, deixar as ilhas. Como tal “são forçados a viver miseravelmente em acampamentos superlotados, com falta de água quente, falta de higiene, má nutrição, e inadequados cuidados médicos”.

"Casas de banho comuns"
Para a AI, as condições nas ilhas gregas “não são apenas degradantes, mas colocam em causa o bem-estar físico e as vidas de refugiados, requerentes de asilo e migrantes".

Às más condições de acolhimento nas ilhas helénicas são agravadas pelo “medo dos moradores pela sua própria segurança”.

As condições precárias nos campos, afirma a Aministia Internacional, a incerteza com que os refugiados e migrantes olham o seu futuro e as preocupantes relações com as populações locais, contribuem significativamente para as tensões que degeneraram em violência ocasional.

A Aministia dá ainda conta de refugiados que foram vítimas de ataques motivados pelo ódio no campo de Souda, na ilha de Chios e sublinha que os refugiados e migrantes, especialmente as mulheres, são alvo de assédio sexual, verbal ou fisicamente, e de violência doméstica, criticando o facto de, em muitos campos, as casas de banho serem comuns aos dois sexos.

Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade em Aveiro para apresentação do projeto UNLOVE

in Notícias de Aveiro on-line

A Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino, participa, amanhã, na Universidade de Aveiro, na assinatura da Carta de Compromisso com Movimento Democrático de Mulheres (MDM).

Após a assinatura da Carta de Compromisso, segue-se a apresentação pública do Projeto "UNLOVE/UNPOP", pelas 11:30, O UNLOVE é um jogo de prevenção e sensibilização que permite experimentar e testemunhar diferentes situações de Violência no Namoro.

Pelas 12:00, A Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, irá participar na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto na apresentação do Estudo Nacional de Violência no Namoro, uma iniciativa da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR).

Porto aperta combate ao tráfico de mulheres

in Porto24

O Movimento Democrático de Mulheres (MDM) apresenta esta terça-feira o projeto ACT - Agir Contra o Tráfico de Mulheres

Em declarações à Lusa, Sandra Benfica, da direção do MDM, explicou que a iniciativa surge "na sequência de um trabalho realizado pelo movimento ao longo dos anos, nomeadamente dos projetos já desenvolvidos em Lisboa e Faro".

"Decidimos agora implementá-lo também na região do Porto", afirmou, sublinhando que "a região Norte, particularmente a região do Porto, continua a ser uma zona com um número muito reduzido de sinalizações. Como acreditamos, infelizmente, que a situação não será muito diferente da do resto do país, da Europa e do mundo, preocupa-nos que ainda não haja um olhar mais sensível à especificidade deste tipo de violência, de crime contra os direitos humanos".

Nos próximos 18 meses, os promotores do projeto irão "falar e sensibilizar para o tráfico humano, dar pistas de como se reconhece, de como se identifica, de como é que se combate o tráfico humano", disse.

"Vamos procurar criar uma rede de parcerias com entidades públicas e privadas que trabalham na comunidade, com operadores turísticos, com a ANA - Aeroportos de Portugal, com empresas transportadoras, vamos estar nas escolas, trabalhar com as polícias, com os sindicatos, vamos alargar até onde conseguirmos esta rede de informação e sensibilização em torno do tráfico humano", sustentou Sandra Benfica.

De acordo com a responsável, "a experiência mostra que quando isto acontece, quando os olhos se tornam mais curiosos e mais treinados, mais facilmente é possível identificar situações de tráfico humano".

No Porto, o projeto será essencialmente dirigido a mulheres, incidindo nas mulheres imigrantes, e aos jovens. "Há um elemento novo neste projeto que é tornar os materiais acessíveis a pessoas com deficiência", salientou.

"Não será possível abranger todas as atividades, mas iremos fazer um esforço para introduzir a língua gestual e o braille, porque as pessoas com deficiência são cada vez mais focadas como grupo com particular vulnerabilidade ao tráfico humano", frisou.

O MDM irá elaborar um diagnóstico, planificar ações e divulgar informação específica sobre o tráfico de mulheres.

"Estamos a preparar uma campanha de sensibilização maior, que irá incluir a edição de materiais em vários suportes, nomeadamente em vídeo, e folhetos em várias línguas com informação de instituições onde podem pedir ajuda. Vamos ter 'workshops' de sensibilização e prevenção junto de jovens, mulheres imigrantes e técnicos de intervenção social", referiu Sandra Benfica.

Está também prevista a realização de um seminário que reunirá os parceiros do projeto e especialistas de entidades ligadas ao estudo e investigação sobre tráfico humano, assim como será assinalado "em grande" o Dia Europeu Contra o Tráfico, a 18 de outubro, acrescentou.

O Movimento Democrático de Mulheres (MDM) é uma associação de mulheres, movimento de opinião e de intervenção, que valoriza o legado histórico dos movimentos femininos que defenderam e lutaram pela emancipação das mulheres e pela construção de uma sociedade de paz, justiça e progresso social.








Um em cada cinco jovens já foi vítima de violência psicológica no namoro

in publico.pt

A UMAR vai divulgar um novo estudo sobre violência no namoro em Portugal.

O Dia dos Namorados aproxima-se e nem tudo é um mar de rosas. Numa altura do ano em que a discussão sobre os perigos do envio de “nudes” se intensifica, a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) prepara-se para divulgar um estudo que alerta para a violência no namoro.

Na terça-feira, às 12h, a sala 119 da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto vai ser o palco de uma conferência de imprensa sobre os dados mais recentes de violência no namoro da UMAR.

O estudo nacional "apresenta dados preocupantes", segundo um comunicado da UMAR. Com uma amostra de 5500 jovens, a associação adianta que, aproximadamente, um em cada quatro jovens considera normal partilhar fotografias íntimas ou insultar o companheiro(a) através das redes sociais; e aproximadamente um em cada sete legitima a violência psicológica, sendo que 19% dos jovens que participaram admitiram já ter sido vítima deste último tipo de violência.

Enfatizar “a necessidade de um trabalho concertado no âmbito da prevenção” é um dos principais objectivos da conferência, que contará com a presença da secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino.

No final do ano passado, Catarina Marcelino ajudou a desenvolver uma campanha nacional de prevenção à violência no namoro, em parceria com as federações académicas. A origem da campanha foi precisamente um estudo da UMAR lançado nos primeiros meses de 2016, que, relativamente a uma amostra de 2500 jovens, indicava que um em cada seis jovens considerava normal forçar relações sexuais.

"Não é possível paz social com este desemprego"

José Fialho Gouveia, in Diário de Notícias

Entrevista a Paulo Marques, vereador em Aulnay-sous-Bois

Como está o ambiente na sua zona, em Aulnay-sous-Bois?
Aqui a situação está calma já há vários dias. No entanto, noutras localidades continuaram os distúrbios, nomeadamente em Bobigny, no fim de semana.

Encontra semelhanças com o que se passou em 2005?
Não. As condições não são idênticas. Em 2005 tinham morrido dois jovens. Desta vez isso não aconteceu e o próprio Théo fez um apelo à calma. A atuação do presidente da câmara, Bruno Beschizza, junto da população também permitiu que nada disto seja idêntico ao que se passou em 2005.

Ainda assim, mais uma vez estamos a falar de confrontos entre a polícia e os jovens dessa zona. O que faz com que Seine-Saint-Denis seja um local propício a este tipo de acontecimentos?
Há jovens que gostam de provocar distúrbios. Isso é um facto que nós conhecemos. Para se ter uma ideia, em cada 14 de julho - feriado nacional - e em casa passagem de ano são perto de 10 mil veículos que são incendiados em França. Diria que 99% dos habitantes de Aulnay-sous-Bois querem segurança e querem que a polícia esteja presente. E depois há 50 jovens que provocam os distúrbios. Isso acontece mesmo quando não há vítimas como foi agora o caso com o Théo. São jovens que querem fazer a sua própria lei, nomeadamente os traficantes de droga.

O que pode então ser feito para contrariar este tipo de acontecimentos?
A Justiça funcionar melhor e uma polícia mais eficaz, com mais meios de vigilância. Depois tem que haver - e isso é fundamental - uma resposta ao problema do desemprego. Temos um nível de desemprego jovem de 25%. Assim não é possível haver paz social.

Tudo indica que neste caso do jovem Théo estamos perante uma situação de abuso policial. É algo isolado ou tem informações que indiquem que poderá tratar-se algo recorrente?
Não, não é prática corrente. A justiça irá agora fazer o seu papel.

Um terço da população com mais de 50 anos sofreu uma queda recentemente

in Público on-line

“Mais de 30% da população acima dos 50 anos sofreu um acidente” no lapso de um ano, mostra estudo. Investigadores estão estudar planos de prevenção.

O risco de queda acontece a partir dos 50 anos e não apenas nos idosos, revela um estudo que concluiu que “mais de 30% da população” acima daquela idade sofreu um acidente no lapso de um ano.

O projecto FallSensing apresenta na sexta-feira, em Coimbra, os resultados do primeiro ano de investigação, que mostra que “o risco de queda acontece logo a partir dos 50 anos e não apenas na população idosa”, afirma a Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC), em nota enviada à agência Lusa.

“Mais de 30% da população acima dos 50 anos sofreu um acidente” no lapso de um ano, concluiu o estudo, no âmbito do qual “investigadores estão a desenvolver um sistema de rastreio de quedas, com a criação de soluções tecnológicas que auxiliam o rastreio do risco de queda e o desenvolvimento de planos de prevenção adaptados ao nível de risco da população”.

Financiado pelo programa comunitário Portugal 2020 e pelo Fundo de Desenvolvimento Regional da União Europeia, o projeto FallSensing (que resulta de um consórcio entre a ESTeSC, a empresa Sensing Future Technologies e a associação sem fins lucrativos Fraunhofer Portugal) procura “criar soluções tecnológicas que auxiliem o rastreio do risco de queda na população adulta” e “planos de prevenção de quedas, que contribuam para um envelhecimento activo e saudável”.

Os resultados da investigação são apresentados na sexta-feira, na ESTeSC, durante o primeiro Meeting FallSensing 2017, que ali decorre, a partir das 09h30, com a participação de especialistas nacionais e estrangeiros na área da fisioterapia.

O estudo mostra que “a população a partir dos 50 anos evidencia o mesmo risco de queda que a população idosa, revelando a necessidade de uma intervenção preventiva mais precoce”, sustenta Anabela Correia Martins, docente da ESTeSC e investigadora principal do projecto. Os dados existentes “apontam para a mesma percentagem, mas a partir dos 65 anos”, refere Anabela Correia Martins, sublinhando a importância das conclusões desta investigação.

Outro dado a reter é que parte da população abrangida pela pesquisa tem uma vida activa e com actividade profissional, a qual, “à partida”, não é considerada população de risco, acrescenta a investigadora.

Quanto ao local onde os acidentes ocorrem, “os dados obtidos confirmam o que já se pensava: é na própria habitação que ocorrem a maioria das quedas”, afirma a ESTeSC, adiantando que os locais com mais probabilidades de acidente são escadas, casa de banho e cozinha, enquanto as causas das quedas são “multifactoriais e prendem-se com factores ambientais, capacidade funcional e factores pessoais”, como, por exemplo, “o medo de cair”.

Durante o rastreio, que abrangeu 450 indivíduos, “foi desenvolvida uma plataforma portátil e usados sensores, agregados a um protocolo de rastreio e avaliação do risco, e uma aplicação informática de registo dos dados, que está a ser validada e que vai permitir criar uma base de dados de risco de queda representativa da população portuguesa”, refere Anabela Correia Martins.

“O próximo passo é o desenvolvimento de programas de intervenção ajustados ao nível de risco da população”, que deverão passar designadamente por exercício físico (para “fortalecimento muscular e equilíbrio”), programas educacionais e “modificações ambientais”, adianta a ESTeSC.

O objectivo final do projecto, que termina em Outubro de 2018, é que “todos os utilizadores considerados em risco de queda tenham a possibilidade de minimizar este risco e prevenir as quedas”.

De acordo com Anabela Correia Martins, as quedas “são um problema muito grave de saúde pública e têm um impacto estrondoso”, salientando que elas “são a causa de metade das hospitalizações na população idosa”.

Igualdade entre mulheres e homens nos cargos de decisão

Sara Falcão Casaca, in Público on-line

Não é uma questão “de dar tempo ao tempo”, porque este é o nosso tempo.

A proposta de Lei 52/XIII, que estabelece o regime da representação equilibrada entre mulheres e homens nos órgãos de administração e de fiscalização das empresas do setor público empresarial e das empresas cotadas em bolsa, chegou finalmente à Assembleia da República e será votada ia 16 de fevereiro. Depois de praticamente uma década a valorizar um quadro normativo soft - que tem compreendido recomendações governamentais ao setor empresarial, prémios e reconhecimentos de boas práticas, assinaturas de declarações de compromisso e incentivos à autorregulação -, importa concluir que os resultados não são animadores.

A sub-representação feminina nos lugares de decisão continua a remeter o país para uma das posições mais atrasadas do espaço europeu. Apesar das várias recomendações e medidas para tornar o Setor Empresarial do Estado um exemplo de boa governação no domínio da igualdade e da paridade nos cargos de liderança, as mulheres representam apenas 28 por cento dos lugares de topo (Conselhos de Administração). Observando as maiores empresas cotadas em bolsa, os últimos dados disponíveis (Abril de 2016) não dão margem para ilusões: por cá, as mulheres perfazem apenas 14 por cento do total de membros dos conselhos de administração. Esta percentagem é menor (12 por cento) no universo de todas as empresas cotadas. Os países europeus que exibem valores acima da média da União Europeia (UE) - 23 por cento - são essencialmente aqueles onde a determinação política venceu as ilusões em torno do voluntarismo. Por isso, entre nós, a esperança recai agora na adoção de um regime de natureza vinculativa. A proposta de Lei determina limiares mínimos para a representação de mulheres e de homens: 33 por cento, a partir de 1 de janeiro de 2018, nos órgãos de administração e de fiscalização das empresas do setor empresarial do Estado; 20 por cento, a partir de 1 de janeiro de 2018, e 33 por cento, a partir de 1 de janeiro de 2020, no caso das empresas cotadas em bolsa. No meu entendimento, são mesmo limiares mínimos. Não podem, portanto, os agentes económicos antecipar o argumento do irrealismo dos objetivos definidos.

Já não é uma questão “de dar tempo ao tempo”, porque este é o nosso tempo. Não se trata de uma opção adversa à meritocracia, porque a igualdade de resultados depende, em muitas circunstâncias, de medidas de ação positiva que criem as condições para que o mérito se revele. Não se trata de confundir “equilíbrio” e “igualdade”, porque não são sinónimos; esta proposta não pode, por isso, descurar o apoio à revisão das estruturas e culturas organizacionais, favorecendo uma igualdade substantiva nas relações de poder e nos processos de tomada de decisão.

Não se trata de uma opção neoliberal, porque a iniciativa não pode ser apreciada isoladamente. Esta deve, sim, integrar uma agenda política compreensiva para a igualdade de oportunidades, que desafie todos os constrangimentos estruturais. A igualdade entre mulheres e homens nos lugares de decisão contribui para o aprofundamento da democracia, para sociedades mais inclusivas e socialmente mais justas. Vários business cases destacam os efeitos positivos no desempenho global das empresas e na competitividade, apresentando argumentos que respondem às aspirações de um melhor desempenho empresarial e económico.

Portugal não pode ser complacente

Marianne Thyssen, in http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/convidados/interior/portugal-nao-pode-ser-complacente-5588762.html

O ano de 2016 foi difícil para a Europa. Estamos sob ameaça contínua de ataques terroristas. A cooperação entre os Estados-membros, em matéria de admissão e integração de refugiados, continua desigual. O Reino Unido votou para deixar a União Europeia. O populismo e o extremismo estão a aumentar, questionando a solidariedade europeia que nos trouxe mais de 70 anos de paz e estabilidade. De forma mais aberta e sonora do que nunca, a Europa foi acusada de ser a fonte dos problemas e de não contribuir para soluções para os nossos cidadãos.

Espero que essa corrente se altere em 2017. Temos de aproveitar a oportunidade para pôr em perspetiva o que a Europa conseguiu nas últimas décadas e que futuro pode trazer a todos nós. De todos os continentes do mundo, alcançamos o mais alto nível de prosperidade e proteção social. A economia de mercado social que caracteriza a Europa de hoje trouxe uma combinação única de crescimento económico e progresso social. O mercado único europeu continua a ser a maior economia do mundo e contribuiu para um nível de prosperidade, para a maioria das pessoas, que os Estados-membros nunca teriam conseguido alcançar individualmente. Além disso, a prosperidade é distribuída mais uniformemente do que na maior parte do mundo.

Ainda temos muito trabalho pela frente, para superar as consequências da crise económica que marcou profundamente a coesão social das nossas sociedades. Todavia, há sinais encorajadores que indicam que os esforços estão a dar frutos. O emprego nunca foi tão elevado na Europa, com 232 milhões de europeus com trabalhos remunerados. O desemprego e a pobreza estão em queda. Também em Portugal vejo sinais encorajadores, e espero que esta tendência continue em 2017. Portugal teve o maior crescimento de emprego de todos os países da União Europeia no final do ano passado. O desemprego está a diminuir e o mercado de trabalho continua a recuperar. A desigualdade, a pobreza e a exclusão social estão a tornar-se cada vez menos pronunciadas.

Escusado será dizer que não podemos dar-nos ao luxo de ser complacentes. O emprego está a crescer, mas muitas pessoas continuam sem emprego - não só em Portugal, mas na União como um todo. A evolução tecnológica e a organização do trabalho estão a redefinir as economias e os mercados de trabalho. A globalização está a acentuar estas tendências e a velocidade da mudança está a enervar muitos cidadãos. Se este novo ambiente é uma ameaça ou uma oportunidade, dependerá da nossa capacidade e determinação para nos adaptarmos e inovarmos.

Olho com ansiedade o que está no primeiro plano do meu campo de trabalho em 2017: a Comissão apresentará na primavera a proposta de um Pilar Europeu dos Direitos Sociais. À medida que a Europa prosseguir no caminho da recuperação, este Pilar servirá para nortear a política para mercados de trabalho justos e dinâmicos, nos quais todos terão a oportunidade de utilizar os seus talentos.

Comissária de Emprego, assuntos sociais e inclusão

Finlândia paga salários para baixar desemprego

in TVI24

Medida, que a Holanda também quer testar e que a Suíça rejeitou em referendo, faz parte de um pacote do Governo de Juha Sipila para baixar o desemprego. Cada um dos 2.000 finlandeses vai receber 560 euros livres de impostos e contrapartidas

Dois mil finlandeses vão receber do Estado 560€ por mês sem contrapartidas, isentos de impostos e sem qualquer controlo. Os cidadãos selecionados aleatoriamente entre desempregados são os primeiros de um programa que vai testar o Rendimento Básico Incondicional (RBI).
A medida, que a Holanda também quer testar e que a Suíça rejeitou num referendo, faz parte de um pacote do Governo de Juha Sipila para baixar o desemprego.

Os cidadãos vão receber a quantia durante dois anos, mesmo que encontrem um trabalho fixo.

O Executivo quer, assim, incentivar alguns desempregados a aceitar trabalhos pouco convencionais, a experimentar empregos fora da sua área profissional ou outros em part-time, sem o risco de perder os benefícios sociais (no país é comum que os desempregados rejeitem trabalhos de baixos salários ou a prazo, para não perderem direito ao subsídio de desemprego).

Segundo o The Guardian, os 560€ serão, no entanto, deduzidos do total de que já beneficiam.

Olli Kangas, da agência governamental que controla os benefícios sociais – a KELA -, diz que esta vai ser uma experiência interessante que vai testar os comportamentos das pessoas.

É muito interessante ver como as pessoas vão comportar-se. Será que [o subsídio] vai levá-los a experimentar outros trabalhos? Ou, como alguns críticos receiam, torná-los mais preguiçosos por saberem que vão receber sem fazer nada?”, afirmou, ao The Guardian.

A media poderá, mais tarde, ser alargada a outros finlandeses com rendimentos baixos, como freelancers, trabalhadores em part-time ou por conta própria.

A quantia “garantida” não se assemelha, no entanto, ao salário médio do setor privado do país, que se situa nos 3.500€ por mês.

Jovens emigrantes trocaram a semana de férias escolares para fazerem voluntariado

in SAPO 24 com Lusa

Falar de violência no dia em que se celebra o Amor. Estes jovens aceitaram o desafio

Governo reforça apoio aos sem-abrigo. Estratégia nacional será apresentada em março

Sim, podemos comer menos sal no pão (e vai continuar a saber-nos bem)
Treze elementos do Agrupamento de Escuteiros 1308, de Genebra, na Suíça, trocaram a semana de férias escolares para fazerem voluntariado no Porto entre hoje e sexta-feira, disse à Lusa o coordenador do projeto "Conta comigo".

O responsável, Álvaro Bastos, relatou tratarem-se "de jovens portugueses, filhos de emigrantes, e uma menina de origem tailandesa, que se naturalizou portuguesa" que liderados por Jorge Garcia, "aproveitaram a semana de férias escolares para fazer voluntariado" na região do Porto e desenvolverem ações de solidariedade junto da população carenciada.

O projeto "Conta comigo", sediado em Vila Nova de Gaia é, segundo o seu coordenador, "formado por um grupo de voluntários de várias partes do Norte do país que há sete anos desenvolvem ações de solidariedade com sem-abrigo no Porto, prestam apoio a pessoas portadoras de deficiência e também a crianças e jovens em risco".

Jorge Garcia, presidente desde 2003 da Associação Católica de Língua Portuguesa em Genebra, onde "travou conhecimento" com Álvaro Bastos, é o fundador do agrupamento de escuteiros "e fez questão de vir a Portugal ajudar em causas sociais", acrescentou o responsável.
Com idades entre os 11 e os 54 anos, o grupo de escuteiros na terça-feira "participará numa entrega de alimentos a famílias carenciadas na Escola Almeida Garrett, em Gaia, após o que visitará em Grijó um centro de apoio a jovens em risco e à noite distribuirá alimentos pelos sem-abrigo nas ruas do Porto", disse Álvaro Bastos.

"A quarta-feira será para visitarem a Torre dos Clérigos, no Porto, e na quinta-feira vão assistir ao ensaio musical de um grupo de autistas na delegação norte da Associação Portuguesa para o Autismo e visitam depois uma associação protetora da criança em Valadares", prosseguiu.
 

Valor máximo do subsídio de desemprego sobe para 1053 euros

Raquel Martins, in iOnline

Subida deve-se à actualização do indexante de apoios sociais. Valor mínimo passa a ser de 421,32 euros.

Os limites mínimo e máximo do subsídio de desemprego vão ser actualizados já em Janeiro, por causa da subida do Indexante de Apoios Sociais (IAS). O valor mínimo do subsídio passa de 419,22 para 421,32 euros (valor equivalente a um IAS), enquanto o subsídio máximo sobe de 1048,05 para 1053,3 euros (2,5 IAS).
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Depois de ter estado congelado nos últimos sete anos, em Janeiro de 2017 o IAS aumenta 0,5% (de 419,22 para 421,32 euros), uma subida que se reflecte no valor e nas condições de atribuição de vários apoios e prestações sociais. O subsídio de desemprego é uma delas.

Provedor de Justiça quer limites à redução do subsídio de desemprego
O valor mínimo do subsídio aumenta 2,1 euros, enquanto o valor máximo tem uma subida de 5,25 euros. Porém, os desempregados só recebem o valor máximo nos primeiros seis meses de subsídio, dado que, passado esse tempo, a lei determina um corte de 10% no valor da prestação.
A atribuição do subsídio social de desemprego também depende do IAS, assim como o seu valor mensal. Têm direito à prestação os desempregados que não reúnem as condições para receber o subsídio de desemprego ou que esgotaram o período de atribuição, desde que o rendimento do agregado familiar, por pessoa, seja inferior a 80% do IAS. Ou seja, com a actualização do indexante, este limite sobe de 335,4 para 337,1 euros.

Por outro lado, o valor da prestação também é alterado: quem vive sozinho passa a receber 337,1 euros (80% do IAS) e quem está integrado num agregado familiar recebe 421,32 euros (o valor correspondente a um IAS).

De acordo com os dados mais recentes, 225.503 pessoas recebiam prestações de desemprego em Novembro do ano passado e o valor médio do subsídio era de 450,46 euros mensais.

Além das prestações de desemprego, são afectadas pela actualização do IAS os escalões de rendimentos que são tidos em conta para calcular quem tem direito a abono de família ou a isenção de taxas moderadoras, assim como os escalões de actualização das pensões.

Actualização do RSI abrange quem já está a receber
O Rendimento Social de Inserção (RSI) está também ligado ao IAS, tendo o Governo decidido que o seu valor passa a corresponder a 43,634% do valor do indexante.

De acordo com uma portaria publicada nesta terça-feira, o valor de referência do RSI passa a ser de 183,84 euros durante o corrente ano (mais 2,85 euros do que no ano passado), repondo-se assim 25% do corte que tinha sido efectuado nesta prestação em 2012. No Esta medida, somada à actualização feita em 2016, permite recuperar metade da redução feita durante o período da troika, “prosseguindo a política de aumento dos rendimentos das famílias em situação de pobreza”.

A portaria contém uma norma transitória que aplica o novo valor de referência às prestações em pagamento e aos requerimentos que estão à espera de decisão. Na prática, as prestações serão recalculadas com base no valor agora actualizado.

O valor de referência do Complemento Solidário para Idosos (CSI) também é aumentado (0,5%) fixando-se em 5084,30 euros por ano e 423,69 euros por mês. Em 2016, o valor situava-se nos 5059,00 anuais, ou seja 421,58 euros por mês. 

«Cidadãos podem acabar com a pobreza»

Texto Juliana Batista | Foto Gustavo Lopes Pereira, in Fátima Missionária

O sabor doce de muitas frutas opõe-se à vida amarga de muitos dos seus produtores, tantas vezes a lidar com «agroquímicos tóxicos» prejudiciais para a saúde, alerta a ativista Kozel Fraser, que convida os cidadãos a olharem para o seu «poder»

As condições em que são produzidos os alimentos que chegam aos supermercados e as opções que os cidadãos podem tomar em prol de um mundo mais sustentável são assuntos que mobilizam Kozel Fraser, porta-voz dos produtores e trabalhadores da campanha internacional «Fruta tropical justa».

A luta por um mundo mais sustentável conduziu esta ativista a Portugal no final do último ano. Por terras lusas, Kozel Fraser deu conferências, entrevistas e encontrou-se com retalhistas portugueses. Em declarações à FÁTIMA MISSIONÁRIA, a responsável deu conta do papel que os responsáveis pelas cadeias de supermercados e os consumidores devem assumir e alertou para os problemas verificados em plantações de várias partes do mundo.

«Em países como o Equador e a Costa Rica, há violações dos direitos humanos como a perseguição de trabalhadores que estão organizados em sindicatos, que representam os trabalhadores. As condições de segurança no trabalho também são ignoradas. Os trabalhadores do setor da fruta tropical, em particular a banana, estão muitas vezes expostos à aplicação intensiva de agroquímicos tóxicos, o que acaba por causar graves danos à sua saúde», denunciou.

Por Portugal, o diálogo entre Kozel Fraser e os responsáveis pelas grandes cadeias de supermercados, mostrou que «alguns desconhecem ou não estão sensibilizados para a possibilidade de violação de direitos humanos nas plantações». De acordo com a ativista, «os supermercados confiam no que os seus fornecedores dizem e não dispõem de quaisquer canais de ligação direta com os produtores para verificarem se o que dizem os fornecedores é verdade».

Além disso, os supermercados tendem a «disponibilizar produtos com base no preço mais competitivo e não providenciam a sustentabilidade, com base no cumprimento de critérios ambientais e sociais, desses mesmos produtos». A especialista defende que as grandes cadeias de supermercados, com um «grande» poder negocial junto dos fornecedores, devem tomar medidas para fomentar o consumo sustentável, como por exemplo, «garantir que um preço justo é pago aos produtores e oferecer produtos sustentáveis nas suas lojas».

Aos consumidores, a ativista deixa um conjunto de alertas e mostra a importância das suas opções alimentares. «O meu conselho para os cidadãos é pensarem na forma como a comida e os produtos que consomem são produzidos e também pensarem no poder que têm, como consumidores, na escolha de produtos sustentáveis», de forma a levar ao «desenvolvimento social e ambiental». Kozel Fraser acredita que «os cidadãos têm o poder de acabar com a pobreza, de promover o bem-estar e de garantir um futuro mais sustentável para as futuras gerações».

A responsável reconhece que as dificuldades financeiras de muitos cidadãos portugueses e de pessoas de todo o mundo são um «entrave» para a prática de um consumo sustentável. Por isso, o que os defensores deste sistema de comércio justo pedem são modificações na cadeia de abastecimento e «mudanças nas margens de lucro dos supermercados e empresas, de modo que as escolhas sustentáveis sejam mais fáceis para os consumidores e não se traduzam, necessariamente, em preços finais mais elevados».  

Apesar das situações de violência que marcam o percurso de muitos alimentos, a ativista considera que o mundo está a «caminhar na direção correta» rumo à sustentabilidade. Contudo, é necessária «coerência nas políticas para o desenvolvimento sustentável, desde o nível da Comissão Europeia até ao nível das autoridades locais». «Precisamos de programas mais abrangentes para a educação e empoderamento dos cidadãos e precisamos de modelos de sucesso que possamos multiplicar para a obtenção de um impacto de larga escala», indica.